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Brasil

Cacau: conheça a história do fruto que tem até um dia próprio

Do quintal amazônico às fazendas do litoral baiano, o cacau percorreu um caminho cheio de histórias, sabores e curiosidades, a ponto de ganhar até um dia próprio e inspirar rotas de visitação. Vem com a gente descobrir de onde ele veio, como chegou ao Brasil e por que essa fruta segue tão presente na nossa cultura e no nosso paladar.

A origem do cacau

 

O cacau não é “mexicano” nem “brasileiro” no sentido estrito, ele nasceu nas florestas úmidas das Américas, especialmente na faixa tropical da América do Sul, e depois viajou, de mão em mão, até ganhar força na América Central. Quando a gente fala em chocolate, muito do imaginário vem do território que hoje é o México, mas a planta é mais antiga e mais ampla do que qualquer fronteira.


O apelido de “alimento dos deuses” vem do próprio nome científico, Theobroma cacao, criado para destacar o prestígio que o fruto ganhou ao longo da história. Antes de virar doce, ele já era símbolo de valor, ritual e status.


Maias e astecas não tomavam “chocolate” como a gente conhece hoje. O que existia era uma bebida feita com as sementes moídas e misturadas com água, muitas vezes com especiarias e até pimenta, batida para formar espuma, e o resultado era intenso, aromático e bem diferente do que você encontra em uma xícara moderna.


E aqui está a virada de chave: por muito tempo, o cacau foi amargo, não doce. O açúcar entrou depois, quando a bebida chegou à Europa e passou a ganhar novas versões, mais suaves, até o chocolate que hoje ocupa prateleiras, cafés e sobremesas com naturalidade.


Esse fruto, que é considerado dos deuses, teve sua origem na América do Sul e na América Central e a sua planta - o chamado cacaueiro - era algo que tinha muito valor para os Maias e também para os Astecas.

 

História do cacau no Brasil

 

A história do cacau no Brasil começa com um detalhe pouco lembrado: o cultivo foi oficialmente autorizado em 1679, por meio de uma Carta Régia que liberou o plantio nas terras coloniais.


No início, a presença do cacau se conectava muito à Amazônia, especialmente ao Pará, onde ele já era conhecido e chegou a ser cultivado e coletado em escala local, ainda longe do protagonismo econômico que viria depois.


A grande virada aconteceu quando o cacau desceu rumo ao litoral sul da Bahia, a partir do século XVIII, e encontrou um cenário perfeito para crescer: calor, umidade e sombra na medida certa. Ali, a região de Ilhéus e arredores foi ganhando lavouras, riqueza, histórias e um jeito próprio de viver o fruto.


É também na Bahia que se fortalece a lógica da cabruca, um sistema agroflorestal em que o cacaueiro cresce sob a copa de árvores nativas, com a mata raleada, e não completamente derrubada. Na prática, é um modo de plantar que conversa com o ambiente e ajudou a conservar biodiversidade.


No começo do século XX, o cacau colocou o Brasil entre os líderes globais, com a Bahia no centro desse ciclo, em um período que marcou a economia e a vida social do sul do estado.


Se você já leu ou ouviu falar de Gabriela, Cravo e Canela, saiba que não é coincidência: Jorge Amado transformou a atmosfera da “sociedade cacaueira” em literatura, com Ilhéus como pano de fundo e o cacau como personagem silencioso, mas decisivo.

 

Cacau é mais do que chocolate!

 

Quando a gente pensa em cacau, o cérebro vai direto para o chocolate, mas a fruta é bem mais versátil do que parece. Do grão ao copo, do doce ao salgado, ela aparece em versões que mudam completamente a experiência.


Comece pela dúvida mais comum no mercado: cacau em pó não é achocolatado. Em geral, o cacau em pó é mais “puro” e intenso, enquanto o achocolatado costuma trazer muito mais açúcar e aditivos para dissolver fácil no leite, por isso a bebida fica mais doce e menos marcante. O jeito prático de acertar é olhar o rótulo e buscar o produto com maior presença de cacau e menos ingredientes que você nem sabe pronunciar.


Outra descoberta que vale o teste é o nibs de cacau. Pense nele como pedacinhos do grão torrado e triturado, com textura crocante e sabor de chocolate bem amargo. Funciona como finalização: em frutas, iogurte, granola, mingau, sorvete, até em saladas, quando você quer um contraste elegante e inesperado.


Você sabia que a polpa do cacau é comestível? Ela envolve as sementes e tem um sabor adocicado com um toque ácido, bem tropical, mais próximo de fruta fresca do que de chocolate. É dela que saem sucos, geleias, licores e fermentados, e provar um suco de polpa é uma daquelas experiências que mudam como você entende o cacau.


Para fechar, um termo que aparece cada vez mais nas embalagens: bean-to-bar. A ideia é simples e bem sedutora, o produtor acompanha o processo do grão à barra, controlando etapas como seleção, torra e refinamento, o que costuma resultar em chocolates com mais identidade de origem e lista de ingredientes mais enxuta.

 

Benefícios do cacau para a saúde

 

Quando o assunto é saúde, o cacau brilha por um motivo simples: ele é rico em flavanóis, compostos antioxidantes que ajudam a dar “fôlego” aos vasos sanguíneos. Em bons estudos, esses flavanóis se relacionam com melhora do fluxo de sangue e efeitos discretos em pressão arterial, principalmente quando o consumo é consistente e moderado.


É por isso que chocolate amargo costuma aparecer como escolha mais interessante do que versões ao leite. Ele tende a ter mais sólidos de cacau, logo, mais flavanóis, enquanto chocolates mais doces podem entregar prazer, mas também trazem mais açúcar e gordura, o que muda o jogo no dia a dia.


Se você já ouviu falar em “dose”, existe até um parâmetro usado na União Europeia: a EFSA aponta que 200 mg de flavanóis de cacau por dia estão ligados à manutenção da vasodilatação dependente do endotélio, que é um dos mecanismos por trás do fluxo sanguíneo normal. Na prática, isso não significa que qualquer chocolate serve, porque o teor de flavanóis varia muito.


E sobre o peso, a resposta é direta: cacau não é fórmula de emagrecimento. Chocolate é calórico, então a balança depende de quantidade e contexto, já o cacau puro, sem açúcar, entra como opção mais leve para receitas e bebidas.


Quer um guia simples para escolher melhor? Procure chocolates com 70% ou mais de cacau, lista de ingredientes curta e porções pequenas, e lembre que nem todo chocolate “funciona” igual do ponto de vista nutricional.


Dá para consumir todo dia? Em geral, a palavra-chave é moderação. Uma referência prática que aparece com frequência é cerca de 28 g, algo como um quadrado maior, quando o chocolate é amargo e entra como parte de uma alimentação equilibrada.


Por fim, um cuidado de bom senso: cacau e chocolate têm teobromina e um pouco de cafeína, então, se você é sensível, tem refluxo, enxaqueca ou dorme leve, vale observar o horário e a quantidade.

 

O que é feito para transformar o cacau em chocolate?

 

A transformação do cacau em chocolate começa longe da fábrica, ainda na fazenda, quando o fruto maduro é aberto e as sementes saem envoltas por uma polpa branca e perfumada. É ali que a mágica do sabor começa a ser construída.


As amêndoas seguem para a fermentação, geralmente em caixas de madeira ou montes cobertos, por alguns dias. Esse processo é decisivo para reduzir adstringência e formar os precursores de aroma e sabor que a gente reconhece no chocolate.


Depois vem a secagem, quase sempre ao sol, até que o grão perca umidade e fique estável para armazenar e transportar. É um passo simples na aparência, mas crucial para qualidade.


Já na indústria ou em marcas bean-to-bar, entra a torra, que aprofunda o perfil aromático e “fecha” o sabor. A ICCO resume bem: o chocolate se constrói em duas frentes, com a fermentação na origem e a torra na etapa de processamento.


Em seguida, o grão é quebrado e passa pela separação da casca, ficando só com os nibs, que são moídos até virar uma pasta espessa, o chamado licor de cacau. A partir daí, a receita começa a ganhar identidade, com a combinação de sólidos de cacau, manteiga de cacau e, dependendo do tipo, açúcar e leite.


Para chegar na textura lisa, entra a conchagem, etapa de mistura e refino que arredonda o sabor. E, antes de virar barra, o chocolate passa pela temperagem, que dá brilho, estalo na mordida e aquela sensação limpa ao derreter.


Quer ver tudo isso de perto? Em rotas de visitação ligadas ao cacau, como as do sul da Bahia, é comum acompanhar a fermentação, sentir o cheiro da secagem, provar nibs recém-torrados e entender por que dois chocolates feitos do mesmo fruto podem ter personalidades tão diferentes.

 

Dia 26 de março: Dia do Cacau

 

No Brasil, 26 de março é o Dia Nacional do Cacau, uma data perfeita para olhar além do chocolate e lembrar o que existe antes da barra: território, cultura e gente que vive do fruto.


A comemoração também nasceu com um objetivo bem prático, incentivar debate e ações para fortalecer a cacauicultura, com atenção especial a polos como Bahia e Espírito Santo.


E tem novidade recente nesse cenário: a Lei nº 14.877/2024 criou os Selos Verdes Cacau Cabruca e Cacau Amazônia, voltados a reconhecer práticas sustentáveis na plantação de cacau e o interesse social e ambiental da produção.


Para entrar no clima com gosto de viagem, use o 26 de março como desculpa para experimentar cacau de origem e, se estiver no sul da Bahia, encaixar a Estrada do Chocolate, entre Ilhéus e Uruçuca, onde a cultura do cacau aparece no campo, na degustação e na conversa com quem produz.


E se a ideia for viver isso com mais conforto, vale se hospedar em um hotel Mercure na Bahia e pedir dicas ao time local. Eles costumam indicar bons lugares para provar chocolates de origem, conhecer lojas e roteiros, e descobrir experiências que não aparecem no primeiro resultado do mapa.

 

Viaje no sabor do cacau com Mercure

 

Do ritual ancestral ao chocolate bean-to-bar, o cacau é uma história que dá vontade de viver com tempo e curiosidade, especialmente quando o roteiro inclui mercados, cafeterias, fazendas e rotas gastronômicas. Para aproveitar esse tipo de experiência com mais conforto e uma dose extra de repertório local, os hotéis Mercure no Brasil são uma ótima base, com equipes que conhecem o destino e ajudam você a descobrir endereços e programas que combinam com o seu estilo de viagem.


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